Os resultados das recentes eleições e as expressivas mudanças na composição do Congresso Nacional acendem um sinal de alerta para o futuro do desenvolvimento regional da Amazônia.
Embora as etapas iniciais da reforma tributária tenham avançado, o processo legislativo está longe de ser concluído. A nova conjuntura política aponta para o fortalecimento de correntes e alas tradicionalmente contrárias ao modelo da Zona Franca de Manaus. Esse cenário impõe desafios ainda mais complexos para a manutenção de suas garantias constitucionais.
A nova bancada e o peso da responsabilidade

Nesse cenário de intensas disputas de narrativas e de redistribuição de forças políticas, a bancada do Amazonas no Congresso Nacional assume um papel de protagonismo vital. De um lado, temos parlamentares veteranos, calejados pelas inúmeras batalhas enfrentadas em defesa do modelo. De outro lado, novos representantes eleitos que assumem o mandato sob o peso de expressiva responsabilidade.
Na nova batalha, improviso não tem lugar
Aos novatos, impõe-se a urgência de uma preparação técnica e estratégica à altura do desafio. Embora a aproximação com os mais experientes seja natural no início, a dimensão do momento exige dedicação intensiva ao estudo da matéria tributária, debate fundamentado. Exige, ainda, a formação de assessorias compostas por profissionais de excelência e capacidade técnica reconhecida, superando a mera alocação de quadros partidários ou cabos eleitorais.
Não dá para brincar. A disputa no Congresso será travada no campo dos números, das projeções econômicas e da técnica legislativa.
A Zona Franca não é uma causa apenas do Amazonas
É fundamental compreender que essa não é uma batalha isolada do Amazonas. O modelo da ZFM possui abrangência regional e alcança também Roraima, Acre, Rondônia e Amapá, formando o bloco historicamente denominado “ARARA”. Por isso, a articulação política entre esses estados será decisiva, tanto no ambiente parlamentar quanto nas negociações federativas.
Diante da nova configuração política da região, torna-se indispensável fortalecer essa convergência. Mais do que alinhamento, será necessária disposição efetiva das lideranças para uma atuação conjunta e coordenada. O objetivo deve ser a defesa das vantagens comparativas da Amazônia Ocidental e do Amapá.
A força de uma Amazônia politicamente unida
Nesse contexto, a sociedade amazonense deposita na sua representação parlamentar e nos seus governantes uma profunda esperança e confiança. Mais do que defender a manutenção dos incentivos fiscais da ZFM, cabe às lideranças do Amazonas assumir o protagonismo da articulação regional.
O tamanho do desafio exige capacidade para dialogar, agregar interesses e construir uma agenda comum entre os estados da região. Uma frente politicamente coesa terá melhores condições de defender, no cenário nacional, as especificidades e necessidades de uma região que não pode ser analisada exclusivamente sob a lógica econômica das áreas mais desenvolvidas do País.
Muito além dos incentivos fiscais
É necessário, portanto, liderar e engajar os demais estados em torno de uma pauta ampla e sustentável. Essa articulação deve conciliar a defesa da Zona Franca de Manaus com a preservação florestal, a bioeconomia e a transição energética. Ao mesmo tempo, deve estimular a construção de novas alternativas econômicas baseadas no aproveitamento responsável e sustentável de nossa biodiversidade.
Defender a ZFM, nesse sentido, não significa apenas preservar incentivos fiscais. Significa discutir qual modelo de desenvolvimento queremos para a Amazônia e quais instrumentos serão necessários para assegurar oportunidades econômicas e sociais compatíveis com as particularidades e potencialidades da região.
É hora de liderança, união e visão de futuro
A expectativa da sociedade é que a nova bancada do Amazonas no Congresso Nacional honre os votos recebidos, demonstrando consciência histórica, capacidade técnica e visão de futuro. O momento exige mais do que discursos em defesa da Zona Franca. Exige preparação, conhecimento, articulação política, competência técnica e capacidade de construir alianças regionais.
A defesa da ZFM não pode ser circunstancial, tampouco restrita aos momentos de crise. Precisa constituir uma estratégia permanente de Estado, capaz de reunir forças políticas, econômicas e sociais em torno de um objetivo comum.
Somente por meio de uma liderança firme, capaz de unir e mobilizar as forças políticas de toda a região, será possível assegurar a continuidade do modelo Zona Franca de Manaus e, ao mesmo tempo, avançar na construção de um projeto soberano, sustentável e próspero de desenvolvimento econômico e social para a Amazônia.


