{"id":1245,"date":"2022-06-11T21:14:53","date_gmt":"2022-06-12T00:14:53","guid":{"rendered":"http:\/\/clubedabaladeira.com.br\/?p=1245"},"modified":"2022-06-11T23:13:39","modified_gmt":"2022-06-12T02:13:39","slug":"colegio-dom-bosco-lembrancas-inesqueciveis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clubedabaladeira.com.br\/index.php\/2022\/06\/11\/colegio-dom-bosco-lembrancas-inesqueciveis\/","title":{"rendered":"COL\u00c9GIO DOM BOSCO &#8211; lembran\u00e7as inesquec\u00edveis."},"content":{"rendered":"\n<p>Lendo o livro de meu amigo e ex-aluno do Col\u00e9gio Dom Bosco, Carlos Augusto Coutinho, da turma de 1979, encontrei nele citado o nome do Padre Argentino Cescon, uma figura humana inesquec\u00edvel da minha gera\u00e7\u00e3o de alunos do col\u00e9gio. <\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image is-style-rounded\">\n<figure class=\"alignleft size-thumbnail\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"http:\/\/clubedabaladeira.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Pe.-Argentino-150x150.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1248\" srcset=\"https:\/\/clubedabaladeira.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Pe.-Argentino-150x150.jpeg 150w, https:\/\/clubedabaladeira.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Pe.-Argentino-75x75.jpeg 75w, https:\/\/clubedabaladeira.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Pe.-Argentino-350x350.jpeg 350w\" sizes=\"auto, (max-width: 150px) 100vw, 150px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Quando Pe. Argentino chegou ao Brasil, em 1955, j\u00e1 como padre salesiano, eu estava apenas nascendo. Foi professor de Hist\u00f3ria da minha turma. Muito temido por ser um padre disciplinador e por n\u00e3o admitir brincadeiras em sala de aula.<\/p>\n\n\n\n<p>Certo dia, depois da fila di\u00e1ria, dos avisos e da ora\u00e7\u00e3o matinal no p\u00e1tio comandada por Pe. Humberto, fomos mandados para a sala de aula. Chegando na sala, o que era muito raro de acontecer naquela \u00e9poca, o professor do primeiro tempo n\u00e3o havia chegado. Da\u00ed ent\u00e3o come\u00e7ou aquela algazarra de sempre, com todo mundo falando com todo mundo e alto.<\/p>\n\n\n\n<p>Para nosso azar, na sala ao lado estava o Pe. Argentino come\u00e7ando a sua aula. Ele veio at\u00e9 a nossa sala e pediu que fiz\u00e9ssemos sil\u00eancio. Na segunda vez que Pe. Argentino pede para fazermos sil\u00eancio, algu\u00e9m l\u00e1 do fund\u00e3o grita bem alto \u2013 pega!<\/p>\n\n\n\n<p>Da\u00ed Pe. Argentino j\u00e1 muda o tom de voz e pergunta :&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Quem foi que gritou?<\/p>\n\n\n\n<p>Algu\u00e9m responde no ato \u2013 foi o ALON.<\/p>\n\n\n\n<p>Pe. Argentino reage no ato e determina:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Alon, se retire e v\u00e1 para a sala de Pe. Humberto.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro gaiato, no meio da sala grita outro nome \u2013 foi o NOLA.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image is-style-rounded\">\n<figure class=\"alignright size-thumbnail is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/clubedabaladeira.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Padre-Humberto-150x150.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1249\" width=\"150\" height=\"150\" srcset=\"https:\/\/clubedabaladeira.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Padre-Humberto-150x150.jpeg 150w, https:\/\/clubedabaladeira.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Padre-Humberto-75x75.jpeg 75w\" sizes=\"auto, (max-width: 150px) 100vw, 150px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Nesse momento, antes mesmo que Pe. Argentino dissesse algo mais, surge na porta da sala o temido conselheiro Pe. Humberto. Al\u00e9m de conselheiro era tamb\u00e9m um dos nossos professores de portugu\u00eas. Nos ensinava literatura e nos obrigava a decorar poesias valendo nota. Na sua aula de s\u00e1bado, cobrava a declama\u00e7\u00e3o e normalmente sorteava apenas 1 ou 2 alunos para declamar, entre mais de 30, todos desesperados para n\u00e3o serem escolhidos. Era um terror! Imagine o esfor\u00e7o para decorar a poesia \u201c O Navio Negreiro\u201d, de Castro Alves, e ganhar s\u00f3 nota 6 porque a declama\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi como Pe. Humberto achava que devia ser. Faltou dar mais vida \u00e0 poesia &#8211; dizia ele justificando a nota dada. E n\u00e3o adiantava reclamar.<\/p>\n\n\n\n<p>Voltando \u00e0 gritaria na sala de aula, sabendo que n\u00e3o havia na nossa turma ningu\u00e9m com o nome de ALON, tampouco NOLA, Pe. Humberto nos mandou sair de sala, voltar para o p\u00e1tio e ficarmos perfilados. No t\u00e9rmino do primeiro tempo, voltamos para a sala com Pe. Humberto nos acompanhando. Todos j\u00e1 sentados, Pe. Humberto d\u00e1 ent\u00e3o o seu recado:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; No final do \u00faltimo tempo, ningu\u00e9m saia de sala. Fiquem todos me esperando que eu virei entregar as cadernetas.<\/p>\n\n\n\n<p>Quase 40 minutos depois do \u00faltimo tempo, Pe. Humberto aparece na sala com as nossas cadernetas e a sua insepar\u00e1vel sineta. Coloca tudo em cima da mesa e diz:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Quem foi que gritou em sala quando o Pe. Argentino estava pedindo sil\u00eancio?<\/p>\n\n\n\n<p>Todos permaneceram mudos. Ningu\u00e9m na turma ousava dedurar outro colega.<\/p>\n\n\n\n<p>Pe. Humberto insiste e pergunta outra vez da turma \u2013 vai aparecer quem gritou?<\/p>\n\n\n\n<p>Da mesma forma que ele sabia que Alon e Nola n\u00e3o existiam, sabia tamb\u00e9m que n\u00e3o ia aparecer quem deu o grito. Mas, Pe. Humberto tamb\u00e9m tinha suas estrat\u00e9gias e sabia como lidar e castigar a turma. Sempre na maior tranquilidade, pede sil\u00eancio absoluto e diz:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Vou dar um tempo para voc\u00eas lembrarem quem foi que gritou. Volto depois do almo\u00e7o e n\u00e3o me fa\u00e7am algazarra aqui. Recolheu as nossas cadernetas, a sineta e foi embora para o seu almo\u00e7o. <\/p>\n\n\n\n<p>Com a turma da tarde j\u00e1 chegando e brincando no p\u00e1tio do Col\u00e9gio, volta Pe. Humberto com as cadernetas e repete a pergunta:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; J\u00e1 sabem quem foi que deu o grito?<\/p>\n\n\n\n<p>Era \u00f3bvio que n\u00e3o ia aparecer quem deu o grito. Pe. Humberto sabia disso e j\u00e1 trazia todas as cadernetas com uma advert\u00eancia escrita com tinta vermelha, com a ordem expressa de trazermos de volta no dia seguinte com a ci\u00eancia dos nossos pais. Distribu\u00eda uma a uma e ia nos dispensando para sairmos da Escola. No caminho de volta para casa, morto de fome, barriga roncando e debaixo de um sol lascado, j\u00e1 ia matutando sobre qual explica\u00e7\u00e3o daria para a advert\u00eancia na carteira. Na verdade perdi a conta de quantas vezes fiz isso.<\/p>\n\n\n\n<p>Finalizando, Pe. Argentino e Pe. Humberto foram muito importantes na nossa forma\u00e7\u00e3o humana, moral e intelectual. Ambos j\u00e1 n\u00e3o est\u00e3o mais entre n\u00f3s. Fizeram parte de muitos outros momentos como esse aqui relatado e que marcaram as nossas vidas saud\u00e1veis na Escola. Eternamente em nossos cora\u00e7\u00f5es. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lendo o livro de meu amigo e ex-aluno do Col\u00e9gio Dom Bosco, Carlos Augusto Coutinho, da turma de 1979, encontrei nele citado o nome do Padre Argentino Cescon, uma figura humana inesquec\u00edvel da minha gera\u00e7\u00e3o de alunos do col\u00e9gio. Quando Pe. Argentino chegou ao Brasil, em 1955, j\u00e1 como padre salesiano, eu estava apenas nascendo. 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